CONSCIÊNCIA NEGRA E NEGRA CONSCIÊNCIA
“Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, haverá guerra” Bob Marley
A morte de Zumbi de Palmares, grande líder negro do final do século 17, ocorrida em plena praça pública na cidade de Recife no dia 20 de novembro de 1695, suscitou da parte de muitos a consciência de que a luta não podia parar, e que aquela fatalidade deveria ser um grande impulso na luta pela liberdade da raça negra.
Lembrar o dia 20 de novembro, fazendo memória de seu martírio, é incentivar, não só os negros, mas todas as classes e raças a unir-se em torno de um único objetivo, de um único projeto: A cidadania plena, a igualdade de direitos.
É impossível lembrarmos esse dia, e não lembrarmos a figura de Martin Luther King, aquele que pelo grande esforço, tornou-se para nós, o mártir da igualdade racial. Acredito que a própria abertura do povo americano para a eleição de um negro como presidente, deu-se pela contribuição direta de Luther King, figura inesquecível dessa nação.
Já se passaram mais de 300 anos do episódio ocorrido com Zumbi de Palmares, mais de 300 anos que a sociedade reflete a questão racial, a questão negra. Mas, olhando ao nosso redor, podemos constatar que não avançamos muito. Paramos no tempo. Sem perspectivas de mudanças. A questão preconceito ainda está muito presente nos dias atuais, acredito que está enraizado em nosso ser, correndo em nosso sangue, como as águas de um rio que procura desaguar numa grande cachoeira.
É lamentável que em pleno século 21, algumas pessoas ainda pensem que o roubo está associado diretamente a pele negra.
É lamentável vê que a maioria dos jovens assassinados em nosso país, sejam, propositalmente, negros.
É lamentável saber que o próprio governo contribui diretamente para isso, não conduzindo políticas públicas de qualidade.
É lamentável, que apesar de ter a consciência dessas e de outras coisas mais graves, continuamos parados, agindo como se fossemos controlados, como se fossemos máquinas,que não conseguem pensar.
ARTIGO ESCRITO POR MARCELO HENRIQUE, NEGRO, REPORTER DA EQUIPE SUPORTE SITE AJS GRAMORÉ