Passado
1 ano ou exatos 13 meses, da morte daquele que lutou contra todas as
formas de violência juvenil, o nosso querido padre Gisley, vítima
daquilo que lutava contra, me vêem alguns questionamentos: Aonde
iremos chegar? Aonde iremos parar com tanta violência? O que vamos
fazer?
Interessante é observar que aqueles
que mais sofrem algum tipo de violência, são na maioria
das vezes, jovens pobres e esquecidos, massificados por um governo que
a cada dia demonstra a sua ineficiência ao tratar da temática
da segurança pública, dos direitos humanos e da violência
juvenil.
É importante que reconheçamos
que os nossos jovens a cada dia são os mais prejudicados: Irmãos,
primos ou até mesmo um colega de trabalho pastoral, são
esses que agora vêem sofrendo com a falta de planejamento político
para a juventude. Abramos os nossos olhos!
Em meio a toda essa violência que
se instaura, é imprescindível que não nos calemos,
que não deixemos passar e baixando nossas cabeças como
meros cordeiros. Quem não se lembra da morte do jovem sonhador,
o Alcides, aquele que ficou conhecido por ter passado em 1° lugar
no curso de Biomedicina na Universidade Federal de Pernambuco. Jovem
de família humilde e que foi morto a tiros por não saber
informar aos criminosos onde estavam os seus vizinhos. E morte do jovem
Djair de Jesus, arrastado e executado pela policia militar do estado
da Bahia, sem envolvimento algum com drogas.
É diante de cenas como essas, mostradas
rotineiramente pela mídia, que olho para as autoridades competentes,
responsáveis pelas políticas públicas para a nossa
juventude nesse país e não consigo que eles (os responsáveis-mor)
me inspirem credibilidade alguma, deixando-nos ao “Deus dará”.
Sinto-me mal, quando olho para o mapa
da violência mundial, e vejo o Brasil na terceira posição,
atrás apenas da Colômbia e da Venezuela, no tocante a assassinatos
juvenis.
Sinto-me mal, em saber que em cada 10
jovens assassinados, 7 são negros.
Sinto-me mal, em saber que se continuar
dessa forma que está, até 2013, ou seja, daqui a 2 anos
morrerão em média 33.500 jovens, segundo os estudos a
RITLA (rede de informação tecnológica latino americana).
Sinto-me mal, em saber que o governo continua
querendo reduzir a maioridade penal, onde sabemos que o principal responsável
pela violência é a desigualdade social e não o fato
de ser jovem.
Sinto-me mal, em saber que ainda são
poucas as iniciativas do governo na proposição e na execução
de políticas para a juventude.
Por fim, é preciso que diante de
tanta crueldade com a nossa juventude, não possamos ficar de
braços cruzados e calados. Devemos lutar pela verdade, dizendo
por todos os cantos: Autoridades, a juventude quer viver!
Artigo escrito por Marcelo
Henrique