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DOAÇÃO DE ÓRGÃO E TECIDO Bom,
depois da grande tragédia que aconteceu em São Paulo no
caso de Eloá a menina de 15 anos que foi assassinada pelo namorado,
após seqüestro terrível, decidir re-ver algo bem interessante
para nossa cultura, a Doação de órgão e tecido.
Além destes quatro, o Walfredo Gurgel e o Hospital Santa Catarina, são autorizados para realizar somente a captação de órgãos. As equipes médicas autorizadas são restritas. Normalmente os mesmos médicos são responsáveis pela retirada e transplante do órgão. As cirurgias podem durar mais de seis horas e demandam atenção extrema. Em 2002, cada capital do país, recebeu uma Central de Transplante. As centrais são meramente administrativas e funcionam como banco de dados. O objetivo principal é descentralizar o cadastramento e facilitar o atendimento das pessoas que esperam por um órgão. Mesmo com as listas estaduais, uma lista única é mantida em Brasília. Esta é mantida uma vez que órgãos captados num Estado nem sempre encontram receptores compatíveis. Desta forma, os órgãos podem ser transferidos diretamente para o Estado no qual há um receptor compatível, sem que haja a perda do órgão. A coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Francinete Guerra, comenta que a resistência das famílias e questões culturais são as principais causas da não doação de órgãos. O atendimento não humanizado nos hospitais (quando pacientes são mal atendidos), a falta de informação e a negativa em vida (quando a pessoa explicita que não quer doar órgãos), são outros motivos que dificultam os transplantes. “A verdade é que a gente não tem muito transplante porque falta doador, falta a doação. Potenciais doadores nós temos sempre, principalmente num hospital desse porte, o maior hospital de trauma do Estado”, afirma a coordenadora da Central de Transplante referindo-se ao Hospital Walfredo Gurgel. São necessárias no máximo 12 horas desde o momento da identificação do doador e liberação para captação do órgão a ser doado.
Pacientes que necessitam de órgãos não transplantados no Estado, como pulmão, intestino e pele, entram na lista única nacional. Nestes casos específicos, a própria Secretaria de Saúde do Estado oferece o tratamento “fora de domicilio” para os pacientes. A primeira medida para efetuar o transplante é identificar o possível doador. O consentimento da família é essencial para que o processo de retirada de órgãos seja iniciado. “Só acontece o transplante se a família fizer a doação, se não fizer, não tem doador”, afirma Francinete. Os órgãos a serem doados são avaliados por especialistas. Sorologias e testes de compatibilidade são realizados para avaliar se os órgãos estão saudáveis e para evitar rejeições. Para prevenir a rejeição, os pacientes transplantados tomam drogas chamadas imunossupressores, por toda a vida. Estas drogas permitem que o corpo e o novo órgão transplantado funcionem de maneira eficaz no paciente durante muitos anos. Mesmo tomando os medicamentos, os pacientes ainda correm riscos de rejeição dos órgãos transplantados. “É melhor tomar imunossupressores para o resto da vida do que ficar numa lista de espera por um órgão”, assegura Francinete Guerra. A coordenadora reforça a importância da doação e tranqüiliza familiares inseguros ao falar sobre a Lei 9434, que coíbe abusos nos procedimentos de transplante. Lei 9434/97: - prevê que a realização de transplantes ou enxertos de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano só poderá ser realizada por estabelecimento de saúde, público ou privado e por equipes médico-cirúrgicas de remoção e transplante previamente autorizadas pelo órgão de gestão nacional do Sistema Único de Saúde. - prevê, também, que tais atos só poderão ser autorizados após a realização, no doador, de todos os testes de triagem para diagnóstico de infeção e infestação exigidos para a triagem de sangue para doação, conforme a legislação vigente. Dois transplantes de sucesso O último final de semana de março marcava o início de uma nova fase para Eliezer Leite Júnior e sua família. A dor nas costas do sábado foi tratada com relaxante muscular. No domingo, a dor persistia. Na segunda, era tão forte, que Eliezer procurou o Hospital São Lucas. Durante todo dia foi submetido a exames para tentar descobrir a causa das dores intensas, mas, sem sucesso. Era 31 de março de 2008. Seriam necessários oito dias para o diagnóstico final: Leucemia Mielóide Aguda. O resultado surpreendeu e as primeiras providências foram tomadas. Uma característica deste câncer é sua rápida progressão, podendo ser fatal em um curto espaço de tempo (semanas ou meses), se deixada sem tratamento adequado no sangue. Embora seja uma doença potencialmente curável, somente uma pequena parte dos doentes são curados com a terapia utilizada nos dias atuais, a quimioterapia. A maior parte dos doentes, necessitam de transplante de medula óssea. As três quimioterapias iniciais resultaram em diversos efeitos colaterais e a destruição quase total da medula óssea de Eliezer. A única solução seria o transplante. Ele tinha um ponto positivo ao seu favor: oito irmãos. Isto porque é mais fácil encontrar doadores compatíveis entre os irmãos do que em qualquer outro nível de parentesco. Cinco irmãos se submeteram aos exames de compatibilidade. Um deles era 100% compatível, para alegria e alívio de todos envolvidos no doloroso processo de espera. O dia 25 de julho era a data do novo nascimento de Eliezer. O procedimento de alta complexidade, que transferia para o seu corpo as células da medula óssea do irmão, durou uma hora e meia e transcorreu sem problemas. Atualmente, ele está entrando na décima terceira semana de observação. São 100 dias iniciais, nos quais a “doença do enxerto crônica” pode se manifestar. A doença representa um bom sinal, já que a medula “nova” começa a identificar o corpo. O sistema imunológico do transplantado é imaturo e se assemelha ao de uma criança. Após um ano, todo o esquema de vacinas aplicado nos infantes é refeito no paciente. Eliezer, aos 37 anos, aguarda confiante pelos dias que virão. Desde março ele está afastado do trabalho de representar medicamentos. A rotina dele após o transplante, inclui muitas horas gastas em casa com os filhos, na leitura de livros e estudo. “80% do tratamento depende da condição física, emocional e espiritual do paciente”, afirma Eliezer que atribui sua recuperação a um milagre. Ele comenta ainda que a fé foi fundamental para superar os meses de doença e ainda o sustenta na fase de recuperação do transplante. “A fé é a certeza do que se espera”. Assim como todos os pacientes, ele espera o dia em que poderá sair de casa sem limitações. “Quero fazer um culto de ação de graças à Deus por tudo o que passei e pela minha recuperação”, comenta Eliezer que durante todos estes meses contou com muito apoio da esposa Simone, da família e dos amigos. Comerciante consegue fazer o transplante
Quatro anos de hemodiálise foram suficientes para Francisco nunca mais querer ouvir falar nisso. “A hemodiálise é uma prisão”, relata Francisco que três vezes na semana tinha o sangue filtrado. “Eu tinha aqueles horários na clínica que não podia marcar nada. Não podia encontrar com ninguém, nem com o papa”. “Minha vida mudou 100%. Levo uma vida normal agora”, declara o transplantado vibrante com a liberdade que a cirurgia trouxe. Atualmente faz revisões de três em três meses e toma imunossupressores. “Não me incomoda tomar medicamentos. Estou vivendo bem melhor! Com o transplante é outra vida”. Oito dias após a cirurgia ele foi liberado pelos médicos. Com dois meses do transplante, voltou a trabalhar. Francisco diz que só não voltou antes porque foi infectado com um vírus que já veio com o rim da irmã. “Passei alguns meses tomando injeções para combater o vírus. Tirando isso, a recuperação foi muito tranqüila”. Ele não consegue imaginar voltando à antiga vida. “Não podia viajar para longe, porque tinha que fazer hemodiálise, tinha câimbras e não urinava. Era muito difícil”. Francisco não esquece a data em que começou uma boa e nova fase de sua vida: 13 de setembro de 2001.
Francinete Guerra - Coordenadora da CNCDO/RN A comunicação dos hospitais com a CNCDO/RN é eficaz? Mantemos comunicação constante com todos os hospitais, Itep, SVO e Samu, porém as notificações de óbito, apesar de várias capacitaçoes com os profissionais dessas instituições, ainda é bastante reduzida ou inexistente. Nem todos os profissionais desenvolveram a cultura do processo doação/ transplante, falta envolvimento com a causa. A CNCDO/RN é informada regularmente sobre mortes encefálicas? Devido ao trabalho extensivo de educação continuada junto aos profissionais de saúde, hoje recebemos um número expressivo de notificações, mas alguns hospitais ainda não notificam. O que falta para melhorar a doação/transplante no RN? Este é um tema de difícil compreensão para os profissionais de saúde e população em geral. Por isso, é necessário um trabalho educativo permanente para aumentar a captação de òrgãos no país. Precisamos aumentar o número de equipes envolvidas e melhorar a estrutura existente. Como a central tem conhecimento de um possível doador, e quanto tempo é disponível para achar um receptor compatível? Diariamente é feita a busca ativa dentro dos hospitais habilitados para encontrar potenciais doadores. A partir do momento em que os identificamos iniciam as etapas do processo de doação (exames, avaliação clínica,etc.). Os receptores são selecionados por critérios clínicos e legais, com auxílio do sistema informatizado. O tempo médio é de 12 horas. Ainda há resistência por parte dos familiares para doar órgãos de um parente que morreu? Às vezes por falta de conhecimento, os familiares resistem em aceitar a doação no momento em que são entrevistados. Isso resulta da falta do atendimento humanizado no hospital? Já houve ocasião em que a família do potencial doador relatou descaso do hospital em relação ao primeiro atendimento, mas essa não é uma condição absoluta para a negativa familiar. Existem campanhas efetivas para desmistificar a doação? As campanhas ainda deixam a desejar no país. As manifestações positivas da mídia em relação a doação de órgãos sempre aumenta o número de transplantes. O MS determina a existência obrigatória e efetiva de uma comissão de captação em hospitais com mais de 80 leitos. Isso é obedecido? O RN disponibilizou informações técnicas necessárias aos profissionais de saúde vinculados à área de transplantes, para a doação e captação de órgãos, mas essa atividade continua embrionária. Existem 16 portarias de hospitais no Estado designando profissionais para formar suas comissões. Porém, algumas destas existem apenas na formalidade, e este é o nosso desafio, mudar essa realidade. TIRE SUAS DÚVIDAS SOBRE A DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E TECIDOS A regulação e gerenciamento da lista única de receptores de órgãos e tecidos no Rio Grande do Norte são de responsabilidade da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO/RN). Os órgãos e tecidos são distribuídos de acordo com os critérios determinados por lei, selecionando o receptor mais compatível com o doador. A inscrição do paciente em lista de espera é feita pelo paciente que o acompanha. 1. Como se tornar doador? -Após tomar essa decisão pessoal é muito importante avisar a sua família. A doação de órgãos só acontece após autorização familiar. 2. Que tipo de doador existe? - Doador Vivo: qualquer pessoa que concorde com a doação, parentes em até 4º grau e cônjuges; não parentes, somente com autorização judicial. -Doador Cadáver: pacientes assistidos em UTI com diagnóstico de morte encefálica confirmada. 3. O que é morte encefálica? - É a morte do cérebro, incluindo tronco cerebral que desempenha funções vitais como controle da respiração. Quando isso ocorre, a parada cardíaca é inevitável. Embora ainda haja batimentos cardíacos, a pessoa com morte cerebral não pode respirar sem os aparelhos e o coração baterá por mais algumas horas. Por isso, a morte encefálica já caracteriza a morte do indivíduo. 4. Como ter certeza do diagnóstico de morte encefálica? - Para confirmação do diagnóstico de morte encefálica é necessário a abertura do protocolo médico, regulamentado pelo Conselho Federal de Medicina. Este protocolo consta de exames clínicos, por médicos de especialidades diferentes (neurologia e clínica médica), repetidos em intervalo de seis horas de um para o outro em adultos; em crianças esse intervalo é maior. Após prazos determinados pelo CFM, ainda tem o exame gráfico que comprova a morte cerebral. 5. Que órgãos ou tecidos podem ser doados? -
Órgãos: coração, pulmão, fígado,
pâncreas, intestinos, rins. 6. Após a doação, o corpo fica deformado? - Não. A retirada dos órgãos é uma cirurgia como outra qualquer e o doador poderá ser velado normalmente. A reconstituição do corpo é obrigatória por lei. 7. Quem precisa de doação de medula óssea? - Pacientes portadores de doenças hematológicas (do sangue) e de alguns tipos de câncer. 8. Quando é possível doar córneas? -Quase sempre, desde que não tenha ocorrido história clínica de AIDS, hepatite e cirurgias oculares.
Centro
de Notificação, Captação e Distribuição
de Órgãos (CNCDO/RN): (84) 3232-7620 / 7621 Fonte
:http://tribunadonorte.com.br/90550.html
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