Comemoração
dos fiéis defuntos
Jô
6, 37-40
FINADOS
comemoração
dos fiéis falecidos,a 2 de novembro, teve origem no mosteiro beneditino
de Cluny. O papa Bento XV, no tempo da primeira guerra mundial, concedeu
a todos os sacerdotes a faculdade de celebrar "três missas"
neste dia.
"Nos ritos fúnebres para seus
filhos, celebra a Igreja com fé o Mistério pascal, na firme
esperança de que os que se tornaram, pelo batismo, membros de Cristo
morto e ressuscitado, passem com ele através da morte à
vida. É necessário, porém, que sua alma seja purificada,
antes de ser recebida no céu com os santos e os eleitos, enquanto
o corpo espera a bem-aventurada esperança da vinda de Cristo e
a ressurreição dos mortos".
Em nossa vida nunca temos o suficiente;
vivemos voltados para um contínuo "amanhã", do
qual esperamos sempre '<mais": mais amor, mais felicidade, mais
bem-estar. Vivemos impelidos pela esperança. Mas no fundo dessa
nossa dinâmica de vida e esperança se oculta, sempre à
espreita, o pensamento da morte; um pensamento ao qual não nos
habituamos e que quereríamos expulsar. No entanto, a morte é
a companheira de toda nossa existência; despedidas e doenças,
dores e desilusões são dela sinais a nos advertir.
A morte, um mistério
A morte permanece para o homem um mistério
profundo. Mistério cercado de respeito também pelos que
não crêem. Ser cristão muda alguma coisa no modo de
considerar e enfrentar a morte? Qual a atitude do cristão diante
da pergunta sobre o sentido último da existência humana,
que a morte nos põe continuamente? A resposta se encontra na profundeza
da nossa fé. Para o cristão, a morte não é
o resultado de uma luta trágica que se deva afrontar com frieza
e cinismo. A morte do cristão segue as pegadas da morte de Cristo:
um cálice amargo, porque fruto do pecado, a beber até o
fim, porque é a vontade do Pai, que nos espera de braços
abertos do outro lado do limiar; morte que é uma vitória
com aparência de derrota; morte que é essencialmente não-morte:
vida, glória, ressurreição. Como se dará tudo
isso precisamente não podemos saber; não cabe ao homem medir
a imensidade do dom e das promessas de Deus. A despedida dos fiéis
é acompanhada da celebração eucarística, memória
da morte de Jesus na cruz e penhor da sua ressurreição.
O prefácio tem um tom de humana suavidade e divina certeza: "Nele
refulge para nós a esperança da feliz ressurreição.
E aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola.
Ó Pai, para os que crêem em vós, a vida não
é tirada, mas transformada, e desfeito o nosso corpo mortal, nos
é dado, nos céus, um corpo imperecível".
Face a face com Cristo
A morte do cristão não é
um momento no fim do seu caminho terreno, um ponto isolado do resto da
vida. A vida terrena é preparação para a do céu,
nela estamos como criancinhas no seio materno: nossa vida na terra é
um período de formação, de luta, de primeiras opções.
Ao morrer, o homem se encontrará diante de tudo o que constituiu
o objeto das suas aspirações mais profundas: encontrar-se-á
diante de Cristo e será a opção definitiva, construída
por todas as opções parciais desta terra.
Cristo espera eternamente com os braços
abertos; o homem que optou contra Cristo, será queimado eternamente
por aquele mesmo amor que repeliu. O homem que se decide por Cristo encontrará
no mesmo amor a plena e infinita alegria.
"Dai-lhes, Senhor, o repouso eterno"
Podemos fazer alguma coisa pelos mortos?
Eles não estão longe de nós; pertencem todos - os
mortos no abraço de Deus - à comunidade dos homens e à
comunidade da Igreja.
A oração pelos defuntos é
uma tradição da Igreja. De fato, subsiste no homem, também
quando morre em estado de graça, muita imperfeição,
muita coisa a ser mudada, purificada do antigo egoísmo! Tudo isto
acontece na morte. Morrer significa morrer também ao mal. Éo
batismo de morte com Cristo, no qual encontra acabamento o batismo de
água. Esta morte vista pelo outro lado - assim crê a Igreja
- pode ser uma purificação, a definitiva e total volta à
luz de Deus. Quanto tempo durará? Isto está fora do nosso
tempo. Não podemos determinar tempo nem lugar. Mas, partindo do
nosso ponto de vista humano, há um tempo durante o qual consideramos
alguém como "morto" e o ajudamos com nossa oração.
De quantos meses ou anos se trata, ninguém pode dizê-lo.
Pe.
José Pereira - Colunista
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