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EXAUTAÇÃO DA SANTA
CRUZ
Jo 3, 13-17
SEGUIR JESUS,
É ASSUMIR A SUA CRUZ
Os
orientais celebram hoje a Cruz com uma solenidade comparável à
da Páscoa. O imperador Constantino havia mandado construir em Jerusalém
uma basílica no Gólgota e outra no Sepulcro do Cristo Ressuscitado.
A dedicação dessas basílicas se realizou a 13 de
setembro de 335. No dia seguinte se lembrava ao povo o significado profundo
das duas igrejas, mostrando o que restava do lenho da Cruz do Salvador.
Deste uso teve origem a celebração do dia 14 de setembro,
que encontramos também em Roma pelo século VII. Nesse aniversário
se acrescentou mais tarde a lembrança da vitória de Heráclio
sobre os persas (630), dos quais o imperador arrebatou as relíquias
da Cruz, que foram solenemente levadas a Jerusalém. Desde então,
a Igreja celebra nesse dia o triunfo da Cruz, que é instrumento
e sinal da nossa salvação.
O uso litúrgico, que requer a Cruz próxima do altar quando
se celebra a missa, representa uma evocação da figura bíblica
da serpente de bronze que Moisés elevou no deserto; olhando-as
os hebreus mordidos pelas serpentes, eram curados. Em sua narrativa da
Paixão, devia João ter presente o simbolismo profundo deste
grande "tipo": "Contemplarão Aquele que traspassaram"
(Zc 12,10; Jo 19,37).
O símbolo da cruz sacralizou, por séculos, todos os cantos
da terra e todas as manifestações sociais e privadas; vivia-se
em outro contexto histórico. Hoje corre o risco de ser varrido
ou, pior, instrumentalizado por uma moda de consumo. Seria conveniente
que este símbolo nos fizesse voltar aos verdadeiros "crucifixos"
de sempre: os pobres, os doentes, os velhos, os explorados, as crianças
excepcionais, etc. São esses os mais dignos de ser colocados ao
"vivo" em nossas missas. A salvação só
virá a nós, filhos do "bem-estar", através
deles, para os quais é sempre válida a palavra do evangelho:
"Tive fome... tive sede..." (Mt 25).
Pe.
José Pereira - Colunista
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