23º.
DOMINGO DO TEMPO COMUM A CORREÇÃO FRATERNA
O
contexto de todo o trecho é o do convite à misericórdia
e ao perdão. Não se trata tanto de uma "excomunhão",
mas da constatação de que, apesar do recurso a todos os
meios possíveis para a reconciliação e o diálogo
fraterno, não há no irmão a vontade eficaz de comunhão
e conversão. E, no entanto, convém lembrar que a Igreja
conserva o direito de pronunciar-se contra os pecadores contumazes, para
não prejudicar a comunidade, e com o fim de fazer o pecador entrar
em si e converter-se. Assim se pronunciou Paulo a respeito do incestuoso
de Corinto (1 Cor 5,5-6). O
que dificulta a aplicação concreta dos temas contidos nas
leituras bíblicas às assembléias eucarísticas
dominicais é o fato, já aceito por todos, de que em geral
essas assembléias não são verdadeiras comunidades.
Isto é, falta uma verdadeira relação pessoal entre
os membros, pela qual cada um se sinta responsável diante dos irmãos.
Por isso, ao - ensinamento da correção fraterna, do perdão
pedido à comunidade e não só a Deus, falta um suporte
sociológico" importante. Será preciso que se aproveitem
pelo menos os elementos do rito (pedido de perdão recíproco
no rito penitencial da missa e abraço da paz), para fazer captar
as riquezas da práxis penitencial da Igreja. A confissão,
além de ser conversão a Deus, é sempre também
reconciliação com os irmãos; reintroduz-nos na Igreja;
de membros mortos tornamo-nos membros vivos, ativos e responsáveis.
Devemos redescobrir o sentido comunitário do pecado e, portanto,
da penitência; ela é o sacramento em que toda a comunidade
cristã reconstitui, sob a ação de Cristo, a unidade
rompida. Uma comunidade de amor, entre os homens, é sempre uma
comunidade de reconciliação e de correção
fraterna. A comunhão perfeita jamais é uma posse já
adquirida; é uma conquista contínua, um dom a implorar do
alto. Mas o verdadeiro amor, o perdão autêntico, não deixa as pessoas como são, com seus defeitos e suas limitações. Amar um irmão significa ajuda--lo a "crescer" em todos os níveis, querer concretamente sua "libertação" daquilo que é defeituoso e mau, lutar por sua plena humanização. Por isto, corrigir é obra de amor; nunca é extinguir energias e entusiasmos; é coisa muito diferente da crítica. Juntamente com a correção fraterna, o cristão faz largo uso do encorajamento. As pessoas esperam dos outros algo diferente de um dom material; esperam que os Outros se lhes tornem próximos, que entrem em contato com elas, percebam que elas existem, e lhes digam tudo isso. Nada é tão encorajador como a atenção vigilante, o respeito não puramente formal, a palavra inesperada de congratulação, se não forem fórmulas vazias de rito ou expressões convencionais. O encorajamento, como a correção, é uma das muitas facetas da caridade.
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