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Reflexão
do Domingo Da Santíssima Trindade
Jo 3, 16-18
DEUS É
COMUNIDADE DE AMOR
Quando
o homem olha para dentro de si, a fim de analisar sua experiência
religiosa, tem a sensação de um abismo sem fundo, uma profundeza
in¬finita. A essa profundeza inatingível de nosso ser refere-se
a palavra "Deus". Deus significa isto: a profundeza última
da nossa vida, a fonte do nosso ser, a meta de todos os nossos esforços.
Esse fundo íntimo do nosso ser manifesta-se na abertura do nosso
"eu para um 'tu", e na seriedade dessa inclinação.
Vemos assim impressa em nosso ser a realidade profunda e grandiosa do
Deus cristão, a Trindade. Isto é, o mistério de um
Deus que é comunidade e comunhão de vida. Um Deus que é
Pai, Filho, Espírito Santo.
A comunhão com Deus, fim do homem
O próprio Deus vem ao homem, manifesta-se
a ele como "Senhor", mas cheio de bondade e misericórdia,
rico em graça e fidelidade (1ª leitura). Na exuberância
de seu amor pelo mundo, manifestado no dom de seu Filho único para
salvá-lo (evangelho), o Deus do amor e da paz derrama sobre os
homens sua graça em Cristo, e os chama à comunhão
com ele no Espírito Santo (2ª leitura).
A Comunidade Trinitária é verdadeiramente o valor último
e supremo, o único verdadeiro fim último do homem, uma vez
que Deus, e somente Deus, é a plenitude de toda perfeição.
A Comunidade Trinitária é
verdadeiramente mistério, realidade que supera absolutamente toda
compreensão humana. Deus jamais deixará de causar a admiração
do homem, e nunca homem algum penetrará na terra de Deus se não
estiver disposto a se desarraigar, como Abraão (Gn 12,1), das fronteiras
de suas limitações e da estreiteza de suas seguranças.
A oração não deve reduzir Deus aos limites do homem;
mas deve dilatar o homem aos horizontes de Deus. O silêncio, que
o Pai parece opor em muitos casos aos pedidos humanos, nasce da autenticidade
de sua paternidade, de sua firmeza em não condescender com a mesquinhez
dos planos humanos, para poder substitui-los por planos bem maiores, nascidos
do seu amor.
A Comunidade Trinitária é
o verdadeiro futuro do homem, só ela pode assegurar ao homem um
plano de vida sem limites, porque capaz de superar até a morte.
Diz eficazmente santo Agostinho: "Deus é tão inexaurível
que quando encontrado ainda falta tudo para encontrá-lo".
Isso significa que o dinamismo e a criatividade humana encontram nele
um horizonte sem limites; portanto, um futuro total.
Um só Deus em três pessoas
Esta revelação não
vem simplesmente satisfazer nossa necessidade de conhecer a Deus; concerne
diretamente ao destino do homem e da criação. De fato, a
salvação, como comunhão de amor entre Deus e o homem,
reflete as características dos dois interlocutores que a constituem:
Deus e o homem. Ora, o homem só pode ser compreendido a partir
de Deus: feito à imagem de Deus, é plasmado conforme o Cristo,
que é a imagem perfeita de Deus (Cl 1,15). Portanto, as perguntas
e respostas sobre Deus são de uma importância fundamental
para compreender o homem. Concretamente, a vida humana, de um ponto de
vista religioso, desenvolve-se e se expande proporcionalmente ao "conhecimento"
do mistério de Deus (Jo 17,3). Se o homem é destinado à
comunhão com Deus Pai, é claro que sua vida tem tanto mais
valor quanto mais ele consegue seguir o movimento de "subida aos
céus" inaugurado pela ascensão de Jesus (Jo 12,32),
até sentar-se à direita do Pai para vê-lo face a face.
O Pe. Faber escreveu que "todo aprofundamento da idéia sobre
Deus equivale a um novo nascimento". O mistério do amor Trinitário
revela algo do mistério mais profundo do homem; por sermos como
somos, criaturas capazes de conhecer, amar, gerar, só podemos exprimir-nos
em termos humanos, mas chegamos com a mais profunda admiração
ao último porquê: como pôde ter nascido a idéia
de “conhecer”, amar", "gerar"? Não nasceu.
Ela é. Porque Deus é amor. O mistério de Deus não
é um mistério de solidão, mas de convivência,
criatividade, conhecimento, amor, de dar e receber; e por isso, somos
como somos.
Buscar a Deus
Em nossa vida cotidiana, às vezes
sombria, às vezes trágica ou muito com¬plicada, em que
devemos cuidar de mil coisas que nos pressionam de toda parte, a luz de
Deus é o amor. Devemos voltar-nos para esta luz se não nos
quisermos desviar do verdadeiro fim de nossa existência. Gostaríamos
de poder dizer: "Aqui está Deus; Deus é assim...".
Mas não é possível. O próprio Deus sai dos
quadros e das imagens e se oculta naqueles que precisam de nós,
e diz: "Aqui estou!" Esconde-se nos pequeninos da terra e diz:
"Buscai-me aqui!" Quem quer viver com Deus não se encontra
diante de uma conclusão, mas sempre diante de um início,
novo como cada novo dia.
Pe.
José Pereira - Colunista
17/05/2008 - Atualizado em 20/05/2008 - 22h46
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