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Reflexão
do sexto Domingo da Páscoa
Jo 14, 15-21
Jesus
Ressuscitado, testemunhado pelos cristãos que se amam.
Jesus
promete o Espírito de verdade a quem observa seus mandamentos.
Só quem faz o que agrada ao amigo pode dizer que está verdadeiramente
em comunhão com ele. Como Cristo sempre fez o que agradava ao Pai,
aceitando sem reservas o plano de salvação e executando-o
com livre obediência, e assim se manifestou como o "filho bem-amado",
também quem crê em Cristo entra na mesma corrente de amor,
porque responde à escolha e à predileção do
Pai. O Espírito de Cristo ilumina agora os que crêem para
que continuem em sua vida a atitude filial de Cristo. Não no sentido
de que todos os pormenores sejam codificados como mais importantes, mas
no de que o amor filial escolha da maneira mais justa em todas as circunstâncias,
com liberdade e fidelidade. Ainda não é cristão quem
pratica os dez mandamentos, código elementar decomportamento moral
e religioso, mas quem é fiel ao único mandamento do amor,
até dar a vida em plena liberdade. Este amor faz passar da morte
para a vida.
Os profetas do amor
Esse amor é também o melhor
testemunho da novidade de vida trazida por Cristo, porque é de
outra ordem: não só o respeito da alteridade e da liberdade
dos outros, da sua dignidade de homens, mas o reconhecimento de uma fraternidade
baseada na adoção filial. Esse amor "teologal"
dá uma dimensão mais profunda ao esforço, comum aos
não-cristãos, de promoção e libertação
do homem, de construção de um mundo justo e pacífico.
Essa lúcida fidelidade ao homem,
esse esforço incansável e desinteressado, é para
o cristão uma participação do amor criador de Deus,
da páscoa do Senhor. Assim, "santifica o Senhor Deus em seu
coração" e responde a quem lhe pergunta a razão
da sua esperança (2ª leitura), remetendo, para além
de sua pessoa, Àquele que é a fonte do amor.
Vede como se amam
O amor dos cristãos dá testemunho
do Cristo ressuscitado, de dois modos. Primeiramente, o amor dos cristãos
entre si. "Vede como se amam diziam os pagãos sobre os primeiros
cristãos. Hoje, os novos pagãos pós-cristãos
poderão dizer o mesmo ao olhar-nos? Ou o nosso comportamento só
levará a menosprezar e desconfiar do cristianismo e de sua insistência
sobre o amor? Certamente, falamos demais de amor, dele fazendo quase um
gênero literário; mas não o vivemos sinceramente entre
nós, divididos como somos por preconceitos, sectarismos, guetos
diversos. Em segundo lugar, o amor dos cristãos pelo mundo. Em
cada época da história, a Igreja é chamada a dar
uma contribuição específica. Nos séculos passados
empenhou-se em salvaguardar e difundir a cultura, entregou-se às
obras assistenciais em beneficio dos pobres e indigentes, fundou hospitais,
cuidou da instrução do povo, criou os primeiros serviços
sociais. Hoje tudo isso é em geral assumido pelo Estado, e a obra
que a Igreja ofereceu durante séculos tende a terminar. O Estado
deve preocupar-se com a difusão da cultura, com a instrução,
a escola, a assistência e todo tipo de serviço social.
Liberada dessas tarefas, cabe agora à
Igreja oferecer à humanidade sua contribuição original
e única: o sentido e o valor construtivo do amor.
Que pede o mundo de hoje ao cristão?
A mais importante exigência a que
devemos atualmente responder não está acaso em contribuir
para suprimir as divisões entre os homens e lutar contra todos
os ódios? Se a humanidade que não crê mais em Deus,
se o homem racional e ateu está mais avançado em outros
pontos, não estará talvez menos avançado neste?
O Estado assistencial poderá criar
estruturas perfeitas. Mas de que servirão se os homens que as devem
animar não forem movidos por um profundo amor pelo homem? Esta
é a ação dos cristãos, engajados ao lado dos
outros homens no esforço por criar um mundo novo, mais justo e
com mais respeito pelo homem. Lembrar que o motor de todo verdadeiro progresso
é o amor e só o amor. Sem amor o próprio progresso
pode se voltar contra o homem e destruí-lo ou aliená-lo.
Procura-se um amor que salve o homem todo: sua dignidade, sua liberdade,
sua necessidade de Deus, seu destino ultra terreno. Um amor concreto,
que se interesse pelos que estão perto e a quem se pode prestar
algum auxílio. Um amor que vai até onde nenhum outro pode
ir.
Pe.
José Pereira - Colunista
30/04/2008 - Atualizado em 03/054/2008 - 11h07
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