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Reflexão
do Domingo da Ressurreição
Jô 20, 1-9
Páscoa
do Senhor, nova criação e novo êxodo.
Hoje
ressoa na Igreja o anúncio pascal: Cristo ressuscitou; ele vive
para além da morte; é o Senhor dos vivos e dos mortos.
Na noite mais clara que o dia" a palavra
onipotente de Deus que criou os céus e a terra e formou o homem
à sua imagem e semelhança chama a uma vida imortal o homem
novo, Jesus de Nazaré, filho de Deus e filho de Maria.
Realiza-se a grande e secreta esperança da humanidade
Nele, a semente da vida divina, depositada
inicialmente na criatura, atinge uma maturação pessoal única,
porque nele habita a plenitude da divindade, a do Filho Unigênito.
A humanidade vê realizada, por dom de Deus, a grande e secreta esperança:
uma terra e céus "novos", um mundo sem luto e sem lágrimas,
paz e justiça, alegria e vida sem sombra e sem fim.
Tudo isto, porém, não é
visível; só aos olhos de quem crê é dado discernir
os traços da nova criatura que se está formando na obscuridade
e no trabalho da existência terrena. A morte é vencida pela
morte livremente aceita por Jesus; mas ela continua a agir até
que tudo seja cumprido. O pecado é vencido pelo sacrifício
do inocente; mas o "mistério da iniqüidade acompanha
a existência humana até o último dia. No Senhor ressuscitado,
a morte e o pecado encontram um sentido aceitável, inserem-se num
desígnio cheio de sabedoria e de amor, não mais causam medo,
porque pertencem ao velho mundo de que fomos libertados.”
Um povo de homens livres caminha para a vida
Ao contrário da vida natural, que
nos é dada sem nosso consentimento, na nova existência só
se pode entrar com uma adesão consciente e livre à proposta
de renascer através da conversão e do batismo. (Isto é
evidente no caso dos adultos; quanto às crianças, batizadas
na fé dos pais e da comunidade, o caso é análogo
ao primeiro dom da vida, em que a resposta pessoal amadurece graças
à educação).
Assim, para cada um dos que crêem,
a Páscoa é a passagem de um modo de viver para outro; é
saída do Egito e imersão no mar Vermelho e caminho pelo
deserto até a terra da promessa. Em uma palavra, é o êxodo
"deste mundo ao Pai" (cf Jo 13,1; Lc 9,31), em seguimento do
Cristo, cabeça do novo povo, animado pelo sopro vital do seu Espírito.
Batizados na sua morte e ressurreição, devemos começar
a "caminhar em novidade de vida" de filhos de Deus. O nosso
"êxodo" coincide com a duração da vida,
até a maturidade, até a última "passagem"
da morte; o nosso crescimento se dá conforme a correspondência
à lei da vida divina em nós, isto é, do amor. Aqui
está toda a moral "pascal"; não numa série
de preceitos, mas num só mandamento, formulado para cada pessoa
e para cada comunidade na variedade das situações de um
diálogo incessante entre o Pai e os filhos; encontrando nossa alegria,
como Cristo, na sintonia com os seus planos de salvação;
abandonando para trás, como Cristo, as formas caducas da religiosidade
natural, para viver na fé, oferecendo toda a nossa pessoa como
sacrifício espiritual; como Cristo, fiéis ao Pai e fiéis
ao homem.
O homem novo, segundo o plano de Deus
Porque "o homem novo é o homem
verdadeiro, assim como Deus o concebeu desde toda a eternidade, é
o homem fiel à vocação de homem. O homem novo não
é "outro" homem, alienado da condição terrestre
para ser posto num paraíso qualquer. A oposição se
acha entre o pecado e a graça; o homem velho vive na ilusão
de poder realizar seu destino incorrendo unicamente a seus recursos; o
homem novo realiza perfeitamente a vontade de Deus, único que pode
admiti-lo à condição "filial"; sabe que
o conteúdo da sua fidelidade à vocação recebida
reside na obediência à condição terrena até
a morte; sabe que este "sim" de criatura constitui o suporte
necessário do "sim" do filho adotivo de Deus" (J.
Frisque). Esta é a "novidade" de que os cristãos
são "testemunhas" no mundo.
Pe.
José Pereira - Colunista
23/03/2008 - Atualizado em 24/03/2008 - 08h15
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