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Reflexão
do 4º. Domingo da Quaresma
JO 9, 1-41
Cristo, luz
para nossas trevas
Como
a água, também a luz - com seu oposto, a escuridão
- é um dos símbolos fundamentais da existência humana
e da reflexão religiosa. No relato do Gênesis, Deus, pela
criação da luz e sua separação das trevas,
põe ordem e distinção no caos primitivo, e o torna
um cosmos cognoscível e depois habitável.
Na plenitude dos tempos, a Palavra de Deus
veio habitar no meio de nós. Vida e luz de todo ser vivo, ela ilumina
com nova luz aquele que crê na Palavra feita homem, na mensagem
tornada pessoa viva, concreta e histórica, no Filho do Deus invisível
que dá a conhecer o Pai. Esses são os grandes temas desenvolvidos
por João desde o prólogo do seu evangelho, e ilustrados
através de uma série de "sinais", diante dos quais
só há uma alternativa: responder sim ou não, sem
atenuantes.
A luz do nosso batismo
Acolher a luz significa crer naquele que
o Pai enviou, reconhecer que suas obras vêm de Deus, entrar na vida
nova mediante os sinais sacramentais e assim, pela fé, as obras
e os ritos, participar da sua ressurreição, vitória
da luz sobre as trevas, do bem sobre o mal, da vida sobre a morte.
No batismo, de que a água da fonte
de Siloé é figura, recebemos a luz que nos faz filhos de
Deus, e somos "iluminados". "Quando um homem nasce para
a vida nova é imediatamente libertado das trevas e a partir desse
momento recebe a luz. É o mesmo que acontece quando de repente
acordamos; ou melhor, é o que sucede com quem quer retirar a catarata
dos próprios olhos: não deverá buscar fora a luz
que não tem, mas terá que libertar a pupila, afastando aquilo
que impede a visão. Do mesmo modo, também nós, como
batismo, somos purificados dos pecados, que como uma nuvem velavam o Espírito
divino, e assim o olho do espírito se torna transparente e luminoso
e nos faz contemplar as coisas divinas: o Espírito Santo desce,
então, do alto sobre nós" (Clemente de Alexandria).
A escolha da luz tem também um valor profético e escatológico:
o juízo já está presente, mas será explícito
e definitivo quando resplandecer a glória do Ressuscitado; quem
crê já está salvo desde agora; quem não crê
- porque não quer ver - permanece em seu pecado.
"Comportai-vos como filhos da luz"
A situação dos cristãos
no tempo presente recebe luz desta página do evangelho e da exortação
paulina, que é um comentário e uma aplicação
do mesmo. Batizados no Cristo Jesus, passamos das trevas para a luz. Vemos
o sentido da nossa vida e do destino do mundo à luz de Cristo,
somos chamados a crescer numa perfeita comunhão de vida com Deus,
a escolher e a viver - como Cristo - a vontade do Pai. Não podemos
agir como os que não sabem; não podemos esconder-nos da
luz que nos foi dada, sem assim nos comprometermos com um destino de trevas
eternas; não podemos recusar professar nossa fé e agir "com
toda bondade, justiça e verdade" (2ª leitura). O testemunho
da luz é a resposta consciente, livre e cheia de amor aquele que
iluminou nossos olhos com a luz sem ocaso.
Pe.
José Pereira - Colunista
23/02/2008 - Atualizado em 26/02/2008 - 15h55
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