Reflexão do 4º. Domingo do Tempo Comum
Mt 4,1-11

QUEM NÂO É TENTADO?

     Começamos um tempo forte de evangelização na Igreja: a Quaresma. É tempo de penitência e conversão. Todo tempo é tempo de conversão. Mas, durante a quaresma, damos especial atenção a isso. Nessa época, os cristãos fazem todo tipo de penitência: jejum, sacrifícios, abstinência. Muita gente faz essas coisas só por costume. Nesse caso, de pouco vale a penitência.
     Só tem valor a penitência que nos ajuda a voltar para Deus, a abrir o coração à palavra de Deus, a viver como irmãos. Aí, sim, a penitência é sinal de nossa boa vontade em mudar de vida, é sinal de conversão.
     Na quaresma celebramos de modo especial a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Este é o mistério da Páscoa. Jesus vence o pecado e a morte para nossa libertação. Esse é o maior presente que Deus nos dá. Da parte de Deus, estamos, pois, salvos. De nossa parte, precisamos seguir o caminho de Jesus. Andar nos passos de Jesus é reconhecer que Deus nos dá libertação. O caminho de Jesus é este: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”. É assim que provamos nosso amor a Deus.
     Jesus é tentado a se desviar de sua missão. Também somos tentados de inúmeras maneiras:
“Manda que esta pedra se transforme pão...”: é a busca de bens materiais, é o aumento das riquezas, é possuir, possuir. Milhões passam fome e vivem na extrema miséria porque alguns poucos possuem as riquezas que são de todos. O ídolo da riqueza é construído em cima da exploração dos operários.
“Se prostrares diante de mim... eu te darei todo este poder...” é a sede de domínio sobre os outros. É o uso do poder para oprimir e não para servir. Todos temos pouco ou muito poder: como pai ou mãe, como animador de comunidade ou catequista, como funcionário ou chefe de alguma coisa, como padre ou religiosa. Ronda em torno de nós a tentação de fazer do poder um domínio sobre os outros e aproveitar-se do poder para proveitos pessoais. Mesmo como pessoas de Igreja podemos nos corromper pelo poder. Quanto mais responsabilidade temos, mais somos tentados.
“Atira-te para baixo... ele dará ordem aos anjos para que te guardem...”: é a ilusão do sucesso imediato ou da glória. É a procura do caminho fácil, sem a passagem pela cruz. Isto é o mesmo que soberba ou orgulho. Enganamo-nos pensando que não precisamos de Deus e que somos capazes de tudo. É a mesma tentação de pessoas que acham que a religião não é mais necessária no mundo de hoje. É a tentação de grupos políticos e nações que querem uma sociedade sem Deus.
     O Evangelho nos mostra Jesus sendo tentado pelo demônio. A gente se espanta com a atitude teimosa do demônio tentando o Filho de Deus. É que Jesus era como nós. Igual a todos, menos no pecado. Jesus é tentado no início de sua missão. Não foi a única vez. As tentações que aparecem no Evangelho de hoje são as principais tentações que eu, você e todos nós tem

 

Para Refletir:
1- Jesus se recusa a usar seu poder para o mal. Usamos nosso poder para oprimir alguém?
2- Quais as tentações mais freqüentes do nosso grupo ou da nossa comunidade? Como as enfrentamos?

Pe. José Pereira - Colunista
10/02/2008 - Atualizado em 11/02/2008 - 14h51
AJSGRAMORE.COM – Suporte Site AJS
CONTATO: ajsgramore@ajsgramore.com

Voltar