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Reflexão
do 4º. Domingo do Tempo Comum
Mt 5,1-12
FELIZES
OS POBRES
O
evangelho das bem-aventuranças domina a liturgia da Palavra deste
domingo. É a primeira parte do sermão da montanha.
Jesus. subindo ao monte nos aparece como o Novo Moisés, promulgador
da nova Jei ("mas eu vos digo...!") no novo Sinai. Proclamando
bem-aventurados os pobres e os humildes, Jesus fala a linguagem que Deus
já havia usado com seu povo através dos profetas, como,
por ex., Sofonias, que ouvimos na 1~ leitura. A mesma linguagem emprega
são Paulo (2ª leitura): os primeiros a serem chamados são
sempre os pequenos, os pobres, os que o mundo despreza, mas que são
grandes no reino dos céus.
Este sermão é verdadeiramente
uma inversão dos valores tradicionais. Os hebreus cultivavam a
convicção de que a prosperidade material, o su¬cesso
eram sinais da bênção de Deus, e a pobreza e a esterilidade,
sinais de maldição. Jesus denuncia a ambigüidade de
uma representação terrena da bem-aventurança. Agora,
os bem-aventurados não são mais os
ricos deste mundo, os saciados, os favorecidos, mas os que têm fome
e choram, os pobres e perseguidos. É a nova lógica, a que
Maria, a bem-aventurada por excelência, canta: "Derrubou os
poderosos de seus tronos, elevou os humildes: cumulou de bens os famintos,
despediu os ricos de mãos vazias" (Lc 1,52-53).
As nove bem-aventuranças de Mateus
se resumem na primeira: "Bem-aventurados os pobres em espírito".
As outras são corolário e explicitação desta.
Reconhecer-se pobre, fraco, não é, porém, antes de
tudo, condição social, mas uma disposição
interior que toca todo o modo de agir, em qualquer situação
em que se esteja. A pobreza, por si só, não é um
bem nem uma situação de ascese. Mas
ser rico significa ter poder, receber honras e ter uma posição
superior à dos outros: aqui é que começa o perigo,
porque onde há poder, riqueza e superioridade, há também,
e com muita freqüência, oprimidos, esmagados, desprezados.
E é a estes que cabe o reino dos céus. Jesus se põe
ao lado destes. São eles os eleitos. Jesus se apresenta como o
mensageiro enviado por Deus para anunciar aos pobres a Boa-nova; sua solicitude
pelos pobres, os infelizes, os doentes era o sinal da sua missão.
Jesus leva aos deserdados não só a segurança de que
um dia gozarão o reino de Deus, mas
anuncia-lhes que este reino já chegou.
A missão de Jesus se estende, além
dos pobres, a todas as misérias Físicas e espirituais; todos
atraem sua compaixão. Inaugurando a era da salvação,
Deus concede uma prioridade a todos os que dela têm necessidade
mais urgente.
Pe.
José Pereira - Colunista
03/02/2008 - Atualizado em 05/01/2008 - 00h24
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