Reflexão
do domingo dia 20 de janeiro de 2008
Segundo Domingo do Tempo Comum - Jô 1, 29-34
JESUS TIRA
OS PECADOS DO MUNDO
A
expressão "Cordeiro de Deus" (evangelho) lembra aos ouvintes
hebreus duas imagens distintas, mas, no fundo, convergentes: a imagem
do Servo de Javé que aparece "como cordeiro levado ao matadouro,
como ovelha muda diante dos tosquiadores" (Is 53,7), e a imagem do
cordeiro do sacrifício pascal.
Segundo a cronologia joanina, Jesus foi
morto na vigília da festa dos ázimos, isto é, da
Páscoa, à tarde, na mesma hora em que, conforme as prescrições
da lei, se imolavam no templo os cordeiros. Depois da morte não
lhe foram quebradas as pernas como aos outros condenados, e o evangelista
vê neste fato a realização de uma prescrição
ritual concernente ao cordeiro pascal (Jo 19,36; cf Ex 12,46). Em outras
palavras, Jesus, o Cristo, o cordeiro da Nova Páscoa que, com sua
morte, inaugura e ratifica a libertação do povo de Deus.
A essa luz é lida a ia leitura, que fala da missão do Servo
de Javé. A Igreja primitiva, muito cedo, verá os traços
de Cristo nesse profeta descrito pelo Segundo-Isaías. Este texto
é um trecho do segundo dos quatro cânticos de Isaias que
falam do "Servo de Javé". O servo é uma figura
simbólica que incorpora em si todo o destino de um povo, e que,
mediante seu papel histórico, revela Deus como salvador e libertador.
A função do Servo de Javé não diz respeito
somente à volta e à libertação dos exilados
hebreus da Babilônia, mas adquire uma dimensão ecumênica,
universal. A própria libertação histórica
de Israel se torna antecipação e penhor de uma salvação
e uma libertação definitiva de dimensões cósmicas
"até os extremos da terna". Reconhecendo no Servo de
Javé Jesus, "cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo",
a comunidade primitiva exprime a própria fé em Cristo libertador
e salvador do mundo.
O homem moderno parece realmente convencido
de ser o dono do seu destino. Hoje há um novo modo de se pôr
e viver o problema da salvação. Ao homem de hoje se oferece
uma nova esperança terrena. A visão do homem passa de teocêntrica
a geocêntrica e antropocêntrica: operou-se um radical deslocamento
de interesses, uma autêntica revolução copernicana
no universo espiritual do homem. Não se considera mais um peregrino
que percorre apressadamente o vale de lágrimas deste mundo, todo
voltado para a terra prometida da eternidade. Torna-se cada vez mais sedentário;
substituiu a tenda movediça pela sólida casa de pedra. As
únicas fronteiras que conhece são as terrestres e temporais.
Uma esperança humana e terrena tomou o lugar da esperança
teologal.
Para Refletir:
1- O que a nossa comunidade está fazendo para que os outros
descubram Jesus?
José
Pereira SDB
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